19 Novembro 2009

NEVERLAND/NEVERWAS…







Sonhei esta noite, que a Lua se tinha recusado a ser Lua Nova e que continuava Cheia. Havia grande constrangimento por todo o Universo, já que obrigava a que todos se tentassem adaptar, se não quisessem que houvesse grandes tempestades cósmicas, com calma celestial, e rapidez terrestre, visto que as marés já andavam em perfeito badanal provocando que se atrasassem uns nascimentos para outros se adiantarem
Sonho fantástico, lua como nunca tinha visto, estrelas cadentes que formavam pingentes que caiam dos céus a velocidade estonteante, mas sempre seguidas de outras, e mais outras, num fogo-de-artifício de uma única cor, deslumbrantemente azul prateado.
Ouvi um ciciar insistente, “que a Lua é Nova quando se encontra mais perto do Sol e por isso é magnetizada e vivificada por ele, é a fase que corresponde à paciência, à espera”.
A pouco e pouco, lá foi desaparecendo a Lua Cheia, dando lugar à sua oposta.
As estrelas caíam, não sei se com maior frequência, ou com maior intensidade, ou, ainda, deixando ficar o rasto mais tempo, sei que se abriu uma fresta de luz no firmamento, que se foi abrindo, abrindo, abrindo….para eu passar? Fiquei na dúvida se o queria fazer e a fresta começou a fechar. Num repente, sem pensar mais, o que fosse soaria, lancei-me para poder por ela passar.
Foi então que acordei
Entre Neverland, Neverwas e o País das Maravilhas, está o sonho
É necessário viver o que se sonha
É necessário sonhar bem para se viver bem
«Comece pelo início e quando chegar ao fim pare»


17 Novembro 2009

FUGAS DE INFORMAÇÃO







Marcelo Rebelo de Sousa, disse no Domingo, com aquele ar compenetrado de quem descobriu a pólvora, que não tinha havido “fugas”, enquanto as escutas foram feitas em Aveiro, que só tinha havido depois de chegadas as certidões a Lisboa.
Não sei bem o que ele poderia estar a dar entender, com aquele sorrisinho de quem só ele está no segredo dos deuses.
Ora vejamos:
Em Aveiro as escutas ao Primeiro-ministro estavam a ser feitas ilegalmente. Quem é que em seu pleno juízo ia deixar sair a informação de que estavam a fazer uma ilegalidade, ainda por cima sobre o Primeiro-ministro? Ministério Público e Juízes
Claro que ficaram muito caladinhos e continuaram a fazê-las. Que é isso de pedir autorização para fazer escutas?
Vieram para Lisboa, para as mãos do Procurador-geral e continuaram calados, por que enquanto não fossem validadas pelo Juiz do Supremo, continuariam ilegais.
Cá para mim, mesmo que validadas, continuariam ilegais, mas devo ser eu que tenho cara de atrasada mental.
Quando souberam que não tinham sido validadas, demorou um bocadinho até conseguirem sabê-lo, começou a vergonha.
Fugas de informação saídas cirurgicamente!!!!
E neste momento, depois de tanta porcaria com o Presidente da República, antes e depois das eleições, aliás nunca um Presidente da República desde 25 de Abril de 74, influenciou tanto as eleições, vergonhosamente, fico sem saber quem é que andava a ser escutado?
Belém ou São Bento? Ou os dois?
Ah! já sei! Cavaco Silva é amigo dos gajos do BPN.
O que seria se isto se estivesse a passar com a Presidência da República!???
Começo a desejar estar numa "répública das bananas", pelo menos sempre teria a esperança que amadurecessem e caíssem de podres


16 Novembro 2009

ESTADO DE DIREITO, OU QUÊ?








A única coisa que me interessa em toda esta história das escutas é saber quem é escutado neste país, ou mais facilmente, quem é que não é escutado neste país.
O que gostava, muito, de saber, é da legalidade ou da ilegalidade das escutas, não só a Sócrates, mas a todos nós.
Sabe-se que o “sistema”, seja lá isso o que for, depois de um número ser escutado e desde que não carreguem numa m*rda de uma tecla qualquer para suspender esse número, o “sistema”, como estava a dizer, passa a escutar esse número.
Ora eu quero saber se por ser da família, ou ser amiga de um amigo de um amigo, de um amigo, posso ser escutada dentro da legalidade, porque ilegalmente está na cara que podemos todos ser.
O que eu quero saber é se for ilegalmente escutada, posso ser acusada de planear um assassínio, àquele filho da p*uta que me riscou o carro.
Isso é o que me interessa e tudo o resto é guerrilha.
Que culpa tenho eu, estou-me a lembrar do “caso” Leonor Beleza, de ter um irmão vígaro? Que culpa tenho eu, que a minha amiga, seja casada com um parvo que é amigo do amigo, do amigo de um desses, tantos, que passam a vida a serem escutados, às vezes ilegalmente.
Mas será que os partidos do país que está à beira da ruína não têm mais nada para discutir, ou estão, mais uma vez, a borrifar para o país e a querer marcar pontos para as próximas eleições?
Sinceramente, mas quem é que acreditará nestes partidos?
A PIDE não fazia melhor!!!!

Tem continuação


13 Novembro 2009

Desabafos



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Ando com uma neura dos diabos!
Para onde foi o Outono?
Quando chega Setembro, toda eu irradio pela proximidade do Outono e todos os anos falo dele, da luz semi-filtrada, do ar parado, das cores, das primeiras chuvas, do cheiro a terra molhada…..de tudo aquilo que faz desta estação a minha preferida.
Este ano não
Eu que andava toda contente por este verão não ter sentido calor a valer, chego ao “meu Setembro” e estapafurdiamente o calor é insuportável, não houve vermelhos só amarelos secos.
Espero pelo Outubro e nada.
As primeiras chuvas são fortes, tempestuosas e corro lá para fora para sentir o cheiro da terra e a desilusão não acaba mais. Caramba! Até o cheiro da terra molhada não existe!
Estamos quase a meio de Novembro e do frio nem um bocadinho
Quero pôr o edredon de penas, sinónimo de conforto, e não consigo. Nem sequer uma camisolita
Sei que estou farta deste tempo, sei que quero o frio e a chuva, o vento, esse, pode ficar em casa do diabo.
Pelo meio olho assustada para a política do país, para a corrupção, pública e privada, para o desemprego….
Apre! Até a natureza não ajuda
Mas já vos aviso, para o ano não contem com Verão em Agosto

11 Novembro 2009

ALMAS GÉMEAS



A carta do Tarot que simboliza as "Almas Gémeas" é o Sol>



Ao desviar meu olhar da montra onde se tinha prendido, enquanto passava, avistei a dois quarteirões de lonjura uma cabeça que se destacava pela altura. No momento em que os nossos olhares se cruzaram, mal distinguia as suas feições.
Não consigo explicar o que se passou, deixei de ver a turba que nos rodeava, mar de gente que se encontrava de permeio, a rua transformou-se em campo, as lojas em arbustos, os prédios em montanhas e nós no mesmo sítio como se o tempo tivesse parado, ou, pelo contrário, nós tivéssemos parado e o tempo um carrossel.
Repentinamente tudo se começou a mexer, um pé à frente do outro, olhos amarrados, exaltantes as feições, ao longe a cavalgar chegando, eu esperando-o, aproximando-nos devagar, eu sem querer chegar, um pé atrás do outro, sem querer que o momento, uma hora ou três, acabasse, até que por fim ele se aproximou e o meu corpo entrou no dele, saltando do cavalo e apertando-me nos braços, um segundo ou duas horas, ele passou largando o meu corpo que se sentiu órfão, dorido de frustração, virando-me para o ver parado a olhar, a saudade palpável, olhar desesperado, ele perguntando, Leonor? A minha cabeça abanando dizendo que não, olhos afirmando que sim e ele baixando a cabeça e partindo
Ando por aí parando e olhando em redor, perscrutando cada rosto, volto àquela rua, à mágica montra numa vã tentativa de repetir o irrepetível.
A tristeza a instalar-se, os messes passando

- mas tocaram-se?
- não , mas ainda sinto o meu corpo a entrar no dele. Eu conheço-o, sei que o conheço, de onde? de onde? É como se toda a vida o tivesse esperado…
Acham possível que nunca mais o veja? Como é que nos podemos perder depois do que sentimos. Porque é que eu não disse que era a Leonor?
- porque não és
- sabes lá! Só sei que me sinto Leonor, que só quero ser Leonor. Eu não sou assim, tu sabes, mas não o posso perder
- viste um homem bonito e passaste-te
- ??????? bonito? Agora que o dizes....sim é lindo! Nem tinha reparado.

Porque se perdem as pessoas?


09 Novembro 2009

A SENHORA DO Ó



Carlos Dugos "A Senhora do Ó"
óleo sobre tela 120x120cm 2007
clicar sobre a imagem para aumentar
vale a pena



Um deus amou-a
Naqueles tempos de há tanto tempo era vulgar vê-los pelos céus, de nebulosa em nebulosa, ou passeando pelas estrelas. Namoravam pelas vielas do universo, beijando-se entre asteróides, cavalgando cometas, escondendo-se em buracos negros, dominavam o tempo e o espaço
Ela brilhava no meio de todas
Deus, que os espreitava, ao vê-la, amou-a
Desceu então do alto para fazer parte da vida daqueles seres que sempre lhe tinham despertado uma curiosidade encantada.
Um deus no meio dos deuses. Precisou de se esforçar para se fazer notar.
Ela apaixonou-se, mas sempre foi dizendo que para o alto não iria por ser demasiado isolado.
Sem pestanejar deus escolheu fazer parte deles, viver as suas vidas, integrar-se neles, deuses também, divinos para sempre
Foi assim, com tanto amor que deu à LUZ o Mundo
Agora, passeiam pela lua, beijam-se através das estrelas, espreitam o universo e sonham dominar o tempo e o espaço


07 Novembro 2009

BOM FIM DE SEMANA








05 Novembro 2009

CASTELO ÀS CLARAS



foto de Luis Bravo


"Castelo às Claras"
Mote dado por Carlos Dugos

Dificuldade a dificuldade, fui levantando uma parede de calhaus feita, que pensava me defendia.
Um dia, com um maior safanão ruiu, deixando um rasto de pedras de todos os feitios, de todos os tamanhos e de muitos tons de cinzento.
Olhei desolada a ‘estragação’ do que me demorara alguns anos a construir
Uns tempos depois, enraivecida ainda, resolvi fazer com todos aqueles calhaus que por ali estavam, as fundações do que poderia vir a ser o meu castelo.
Se melhor o pensei, melhor deitei mãos à obra.
A cada dificuldade parava até encontrar a pedra perfeita que se encaixasse no lugar predestinado. O problema ficava resolvido com menos stress, a parede mais perfeita, cada vez mais alta, a que se foram juntando mais paredes, não esquecendo um torreão ainda mais alto.
As ameias foram brincadeira de crianças, o pior foi quando quis acrescentar umas guaritas, sem que ficasse com ar de forte.
Desdobrei-me em três, deixando ficar em cada uma delas, uma outra eu, que não deixasse mais nenhuma chatice tocar-me
Estava feliz olhando a planície à minha volta, senhora do meu castelo, tão bem guardado, tão bem isolado.
Um dia quando voltava do mercado e olhei com orgulho para o meu castelo……forte, era um forte e ainda não tinha dado por isso! Por isso a vida era tão monótona
Recomecei as obras! Tirei as ameias, sempre as mais fáceis de fazer como de desfazer, em seguida as guaritas e percebi porque andava tão cansada… Rasguei em enormes janelas por onde jorrava Luz, as estreitas fendas, do torreão fiz dois confortáveis quartos, baixei a ponte levadiça.
Hoje o meu castelo, é uma Castelo às Claras


03 Novembro 2009

ALMAS GÉMEAS



Imagem tirada de um PowerPoint


Chora. Não sabe o que tem, pensa que perdeu alguém, mas não sabe quem
Perdeu o amor que sempre soube que viria, mas que tem tardado, e depois sorri, sorriso triste, porque tem amado e tem sido amada, pode lá falar de falta de amor.
Haverá amor e amor?
Falta-lhe o amor exaltante do chegar a casa de sorriso posto por o ir encontrar
Falta-lhe o amor exaltante de ao vê-la chegar se vir aconchegar nela enquanto a beija
Falta-lhe o amor exaltante da pergunta não feita
Sobe as escadas com os sacos na mão, cansada, não sabendo se o irá encontrar, se não telefonará a dizer que não vem jantar, não por ter alguém, isso está certa, mas pela indiferença de estar ou não com ela, os filhos esperando….


No carro põe um CD de Leonard Cohen, que a mãe o ensinou a ouvir, e vai pensando que o amor é tão frágil, que se perde com tanta facilidade, e depois sorri, sorriso triste, porque ama e é amado
Falta-lhe o amor exaltante do beijo dado sem porquê
Falta-lhe o amor exaltante de ela chegar e se sentar no seu colo
Falta-lhe o amor exaltante de um afago em frente aos filhos, pais assexuados
A música está alta, os vidros abertos e inebria-se com o vento quente que lhe seca as lágrimas, sabe que quando chegar aos ensaios lhe telefonará a dizer que não vai jantar, uma maneira de ainda nesse dia falar com ela, que nunca o quer acompanhar, os filhos já mais crescidos…


Porque se perdem as pessoas?


02 Novembro 2009

A CASA




tirada do google


Espera! Espera por mim, tinha ele gritado, embora não se visse ninguém no caminho coberto de pedrinhas que ia da casa até ao portão.
Parou admirado por não ouvir resposta. Rita! Rita! Chamava enervado olhando à sua volta, como se esperasse que ela aparecesse atrás de um dos plátanos centenários que bordejavam ambos os lados do caminho. Correu até meio, onde havia a curva que não deixava ver o portão. Só aí parou esfalfado e desanimado, por não ter sido ouvido pela Rita.
A casa tinha ar de não ser habitada há anos. Nunca fora habitada regularmente, apesar de ter sido ampliada cinquenta anos antes pelo dono, que a deixou a uma sobrinha que tinha sete filhos. Pensou em tudo, até nos quartos para as empregadas, nunca menos de quatro, que a Matilde tinha habitualmente.
Casa de dois pisos, paredes cobertas de vinha virgem, que só em Setembro mostrava todo o seu encanto, coberta e folhas de mil tons de vermelho, rodeada por pequeno jardim, onde se destacava uma tília, centenária também, cuja copa era avistada de muito longe, que dava para o resto da quinta.
Sentado no degrau do alpendre, pensava porque teria Rita tanta pressa em partir, podia-lhe ter dado, ao menos, o benefício da dúvida, em vez de se ter recusado a ouvir a resposta que tinha tardado à pergunta que fazia, meio desvairada, repetindo-a sem cessar: é verdade o que dizem? É verdade? Diz! É verdade?
Ficou a olhar, a tentar entender, não sabia do que ela estava a falar, não sabia o que diziam, eles diziam tantas coisas que há muito tinha desistido de saber de que falavam, de se importar e nesse meio tempo ela tinha voltado costas e partido.
A porta de madeira maciça, com fechadura antiga, estava ferrugenta, a tinta desaparecia aos bocados, mostrando por baixo a madeira que começava a estar em mau estado.
Meteu a chave à porta, mãos que faziam o gesto automaticamente, ouvindo o tréc-tréc característico enquanto dava mais uma volta, num total de três. Empurrou-a lentamente enquanto chiava e, mentalmente tomou nota que tinha de a olear.
O momento estava cristalizado, o choque apanhou-o desprevenido fazendo-o voltar a vinte anos antes. Tinha feito bem, pensava ao transpor a porta, sabia que só aqui poderia voltar a encontrá-la, a ela e àquele bocado dele que ali tinha deixado, para sempre.
Entrou e o vazio foi a resposta
Só então percebeu que não havia já nada para recuperar

29 Outubro 2009

SONHO


Miguel Angel de Arriba Cuadrado


Parto quando menos espero e dou por mim do outro lado do mundo, em viagem exaltante e solitária
No entanto habituei-me há muito a ir para um lugar só meu e daí parto para as mais loucas viagens
Já tive uma ilha num mar encantado onde a areia tanto podia ser dourada durante o dia, como rosada ao fim da tarde, reflexo dos últimos raios solares.
Mais tarde tive uma casa à beira mar, mar esverdeado e semi-tempestuoso. Os sonhos nessa casa foram tantas vezes inquietantes, revoltosos, mas levaram-me e encontrar, tantas e tantas vezes, a calmaria de um mar que se tornava espelho
Mais tarde ainda, optei por uma casa á beira-rio, em manhãs ou tardes em que o nevoeiro não deixava adivinhar como seria a viagem. Partida desconhecida, descoberta frutuosa
Hoje em dia a casa é sempre num qualquer topo do mundo de onde, com um passo, me atiro a voar. Num sítio tão alto que, ao estender o braço, toco numa estrela, dentro de uma nebulosa, mesmo que a milhares de anos-luz.
Esta é a minha casa
Este é o meu castelo

04 Maio 2009

OBRIGATÓRIO: PERCA DO NILO








Há quem lhe chame Cherne, mas o seu verdadeiro nome é Perca do Nilo, que vem do Lago Vitória na Tanzânia, onde nasce o rio Nilo
A Perca do Nilo foi ali introduzida nos anos 60, predador voraz aniquilou todos as outras espécies de peixes indígenas. Nasce então uma florescente indústria que exporta om sucesso este peixe para todo o hemisfério norte.
A pesca massiva deste peixe fez com que fosse deixada a pesca artesanal e as populações que rodeiam o Lago Vitória passaram a depender em exclusivo deste trabalho, que como sempre são explorados continuando a viver na miséria.
Sei que estamos em crise e que este peixe é barato, mas é bom que tenhamos a noção que vem de mão de obra escrava.
Pescadores, políticos, pilotos russos, prostitutas, industriais e comissários europeus são os actores de um drama que ultrapassa as fronteiras do país africano. No céu, enormes aviões de carga da ex-União Soviética formam um ballet incessante, abrindo a porta a outro tipo de comércio: a compra e venda de armas. "O Pesadelo de Darwin", realizado por Hubert Sauper, ganhou o Prémio de Melhor Documentário nos Prémios Europeus do Cinema e foi ainda premiado nos festivais de Veneza, Belfort, Copenhaga, Montréal, Paris, Chicago, Salónica, Oslo, México, Angers.

In Pesadelo de Darwin







06 Abril 2009

AQUELA JANELA VIRADA PARA O MAR









Dois batentes abertos, a luz que entra, as sombras que se abrem, o olhar que se estende para lá do momento tentando descortinar o horizonte.
Nunca sentira os olhos presos, sempre tivera a sorte de ter janelas desafogadas, onde espraiava o olhar.
Tinha uma amiga que dizia quando o horizonte pegava quase com o infinito
- estica os olhos, não os deixes habituarem-se a quatro paredes, estica os olhos o mais que possas. Sempre se ria a imaginar os olhos a serem esticados, enquanto deixava o olhar brincar até ao quase infinito
A água de onde viemos, que somos, líquido precioso sem o qual não sobrevivíamos, água primordial, onde ainda hoje vivemos dançamos, cantamos
Janela em troca de experiências, traz o cheiro da maresia, o piar das gaivotas, a despedida ao fim do dia de bandos de pardais e de andorinhas
traz o dançar de ramos mais finos e das folhas, quando o vento passa assobiando baixinho como em piropo à beleza que o rodeia
leva o calor acolhedor do que está dentro que se mistura a tantos outros
leva o reflexo de vidas que deixam rastos cinzentos, rosas ou azuis, conforme a janela por onde passam
leva luz, daquela janela virada para o mar


02 Abril 2009

CHAPÉU DE PALHA

Auguste Rodin




Estavam as três sentadas no muro cinzento de pedra antiga, tão antiga como o resto da casa, que bordejava o lago, quando foi tirada a fotografia em dia sufocante de Setembro, em que as sombras das altas árvores, sobreviventes de um ciclone vinte anos antes, faziam puzzles de luz.
Há uma lassidão mostrada pela objectiva, a quem conheça a vivacidade da mais nova, naquele meio gesto captado, lento, de pôr o cabelo atrás da orelha, mostrando o rosto afogueado
As três tinham o rosto sombreado pelos chapéus de palha de aba larga, mas mesmo assim se podia notar o olhar vivo, traquina e terno da mais nova cujo chapéu inclinado sobre a testa morena, descaía sobre a orelha, olhando para as duas mais velhas que a miravam com ar misto de ternura e orgulho
Como um chapéu de palha é sensual, parecia que diziam as três gerações ali representadas, a do meio de cabeça bem erguida, como se a tristeza nunca lhe tivesse batido à porta, senhora de uma beleza que não confessa a idade. A mais velha de uma serenidade exultante, fina, cabeça um pouco de lado como quem espreita o momento.
Três chapéus tão diferentes em três cabeças ainda mais diferentes, três personalidades de cambiantes parecidos, três forças da natureza unidas por um chapéu de palha, unidas pelo mesmo sorriso cúmplice que lhes vem de dentro lhes chega aos olhos, quase nada na boca
O momento retratado era feliz.
Era esse o momento que ficaria

30 Março 2009

ÖKO-BALL







A Mariz, tem dois blogs. Um de cariz espiritual, o SOU PÓ E LUZ e outro de cariz informativo, o AJUDE-PARTICIPE.
Foi neste último que tomei conhecimento da existência de um produto chamado ÖKO-BALL.
A Mariz ainda não o tinha experimentado, mas como tem três anos de garantia, e achei que podia poupar bastante dinheiro, resolvi experimentar.
Telefonei para lá e disseram-me que com a água do Norte do país, até nisto eles são melhores, que tem eficácia a 100%, mas com a água do centro e do sul de Portugal se tem de adicionar uma colher de sopa de detergente e no caso de gostarmos que a roupa saia da máquina com um qualquer cheiro também de deveria pôr uma colher de sopa de amaciador mas, frisou a senhora bem, nunca mais do que isso.
Estou francamente contente. Lavei uma toalha de mesa, azul escura, cheia de nódoas, porque há netos que ainda entornam de vez em quando a comida, a 40º só com uma colher de sopa de detergente e saíram todas as nódoas.
A Öko-Ball custa 39€, serve para 1500 lavagens de máquina, o que dá uma média de uma máquina diária durante cinco anos.
Na minha casa, estará paga mais ao menos ao fim de três meses.
Convém dizer que não sou dona nem trabalho de algum modo para ou com esta empresa, que também não tenho amigos ou familiares de qualquer modo ligados a este produto ou empresa e que não ganho nada com isto a não ser o facto de ir poupar dinheiro por a ter comprado.
Para saberem mais pormenores é ir ao blog da Mariz, ou ir ao site da Öko-Ball que está nos contactos

Contactos

Morada:
Zona Industrial Ligeira, Lote 11
4 Caminhos
3150-260 Condeixa-a-Nova
Coimbra
Portugal

E-mail: info@okoball.com (activar Java script)
Telefone: 707 20 10 35
Fax: (00351) 239946225
Telemóvel: (00351) 936539036
Site: http://www.okoball.com
Skype: okoball.com

RECOMEÇO





Estou contente por voltar, porque gosto deste blog, porque tinha saudades.
Sem obrigações de post em dias certos

07 Janeiro 2009

Jogos







ESTES JOGOS SÃO PORTUGUESES!!!!

FAÇAM O FAVOR DE ALINHAR!!!
DÊEM UMA ESPREITADELA

30 Junho 2008

ADEUS

Adeus, sempre foi uma palavra grande demais para mim;
encerra o mundo todo e toda a vida
nunca a direi, pelo menos completamente.
Sei que voltarei, mas para um outro espaço e num outro tempo, recomeçando do nada como me agrada, para já fico-me por aqui.
obrigado a todos

28 Junho 2008

BOM FIM DE SEMANA




É talvez a Artista Plástica que mais gosto neste tipo de arte, a Instalação.

JOANA VASCONCELOS



Coração Independente - Vermelho
há ainda o Laranja


Coração Independente - Preto



Dorothy
feito com tachos e panelas











Ilha dos Amores







A Noiva,
feita em aço e tampões

Deixo-vos o link, pois vale a pena ir espreitar e navegar, não deixem de clicar no botão que explica quais os materiais com que fez a peça mostrada

27 Junho 2008

Mulher II





Fotografia de José Marafona


Ela tem atravessado a “série varandas” sozinha e com amigas, sem o seu amor e com ele
Ela é nada, mas é também o rio que corre para a foz, que se enleia, que tem lodos fundos, onde por vezes se perde, que não consegue fazer o caminho a direito, apesar de tanto se esforçar, mas tem sabido contornar as curvas e segue sempre o caminho que determinou
é a sedutora e a sedução, mas é também aquela por quem passam sem ver, sem olhar a sua cara nem darem por ela
a que faz parar o transito, mas também a que querem atropelar, dê lá por onde der
Ela é o vazio e o cansaço, mas é também quem tem esperança, quem luta e dá a cara, que não desiste, venha daí o mal que vier, ou o bem
é a que não é mãe, que chora os filhos que não teve, mas é também a que tem netos e que ri alegre para os filhos que trouxe no ventre
a que está sozinha, ou a que se separou, mas é também a que sempre amou, a que quis viver acompanhada por um amor que tem ao seu lado
Ela é cruel e fraca, mas é também a generosa que tudo dá e se entrega, que tem a força interior de se manter de pé no meio das tempestades
é a indiferente e a frieza feita gente, mas é também a que tem uma sensibilidade de corda de violino plangente que comove e faz chorar, que a todos acolhe dentro de si,
a rebelde que tudo e todos põe em causa, mas também a que se dobra e a todos aceita a sua maneira de ser.
a que se quer vingar da vida e deste e daquele, mas também a que nada tem de rancorosa, que sempre vai desculpando e que no dia seguinte já não lembra do que foi dito ou feito
Ela é complicada, mas é também transparente como o mar que vem devagarinho beijar a praia
é a que vira a cara para o lado que não quer ver o que está à sua frente, mas é também a que olha de frente, mesmo que sofra com esse olhar e que tudo tenta fazer para caminhos aplainar
a que tem tristezas sem fim e a alma magoada, mas também a que está alegre e que em tudo vê o melhor que a vida tem e que sempre traz um sorriso na cara, que ri às gargalhadas, que das tripas faz coração sem ninguém saber o que lhe vai dentro
Ela é a que não tem nome, a que não é ninguém e és tu e sou eu e é todas as mulheres que ao longo da vida se têm batido pelo amor
Ela é MULHER